PACTO DE LAUSANNE – COMPROMISSO EVANGÉLICO COM UM ESTILO DE VIDA SIMPLES – INTRODUÇÃO

       “Vida” e “estilo de vida” são expressões que obviamente se pertencem, não podendo, portanto, separar-se uma da outra. Todos os cristãos dizem ter recebido de Jesus Cristo uma nova vida. Mas qual o estilo de vida certo? Se a vida é nova, o estilo de vida precisa ser novo também. Mas que características ele precisa ter? Como distingui-lo em particular do estilo de vida dos que não professam o cristianismo? E de que maneira ele deve refletir os desafios do mundo contemporâneo: sua alienação tanto em relação a Deus como em relação aos recursos da Terra, que ele criou para gozo de todos?

       Foram questões como essas que levaram os participantes do Congresso de Lausanne sobre Evangelização Mundial (1974) a incluir no parágrafo 9 do seu Pacto o seguinte texto:

      Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas e abalados pelas injustiças que a provocam. Nós, que vivemos em sociedades afluentes, aceitamos como obrigação desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuirmos  mais generosamente tanto para assistência social como para a evangelização.

      Essas palavras têm sido muito debatidas, e tornou-se claro que suas implicações carecem de exame cuidadoso.

     De maneira que o Grupo de Trabalho sobre Teologia e Educação da Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial e o Grupo de Estudos sobre Ética e Sociedade da Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial concordaram em patrocinar um programa de estudos de dois anos, culminando num encontro internacional. Grupos locais reuniram-se em quinze países. Congressos regionais foram realizados na Índia, na Irlanda e nos Estados Unidos. Então, de 17 a 21 de março de 1980, no Centro de Conferências de High Leigh ( cerca de 25 quilômetros ao norte de Londres, Inglaterra), realizou-se a Consulta Internacional  sobre Estilo de vida Simples, tendo a ela comparecido 85 líderes evangélicos de 27 países.

      Nosso propósito era estudar o viver simples em relação à evangelização, á assistência e à justiça, considerando que todos esses itens constam na declaração de Lausanne sobre estilo de vida simples. Nossa perspectiva por um lado,  era o ensino da Bíblia; por outro, o mundo sofredor, ou seja, os bilhões de pessoas, homens, mulheres e crianças que, embora criados a imagem de Deus e por ele amados, ou não são evangelizados, ou são oprimidos, ou ambas as coisas juntas, sendo, pois destituídos do evangelho da salvação, bem como das necessidades básicas da vida humana.

      Durante os quatro dias de duração da Consulta, vivemos, louvamos e oramos juntos; estudamos as Escrituras juntos; ouvimos a leitura de vários trabalhos (a serem reunidos em livro) e alguns testemunhos comoventes; esforçamo-nos por inter-relacionar as questões teológicas e econômicas, debatendo-as tanto nas seções plenárias como em pequenos grupos; rimos, choramos, arrependemo-nos e tomamos resoluções. Embora no inicio sentíssemos certa tensão entre representantes do Primeiro e Terceiro Mundos, no final o Espírito Santo, que cria a unidade, encaminhou-nos a uma nova solidariedade de respeito e amor mútuos.

      Acima de tudo, empenhamo-nos em nos expor com honestidade aos desafios tanto da Palavra de Deus como do mundo necessitado, a fim de discernir a vontade de Deus e procurar sua graça para cumpri-la. Ao longo desse processo nossas mentes se desdobraram, nossa consciência tornou-se mais aguda, agitaram-se nossos corações e nossa vontade saiu fortalecida.

       Reconhecemos que outros já vêm discutindo esse assunto a vários anos e, constrangidos, nos colocamos ao lado deles. Por isso não desejamos sobrevalorizar nossa Consulta e nosso compromisso. Nem temos razão para nos vangloriar. Todavia, aquela foi para nós uma semana histórica e transformadora. De maneira que, ao colocar-mos esse livreto em circulação, no intuito de com ele auxiliarmos o estudo de indivíduos, grupos e igrejas, fazêmo-lo com oração e na mais firme esperança de que numerosos cristãos se sintam  movidos, assim como nós também o fomos, a uma decisão que leva ao compromisso e à ação.

 John Stott

      Presidente do Grupo de Trabalho sobre Teologia e Educação da Comissão de Lausanne para a evangelização Mundial.

 Ronald J. Sider

      Presidente do Grupo de Estudos sobre Ética e Sociedade da Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial

Outubro de 1980

 Prefácio

  Durante os quatro dias em que estivemos reunidos, 85 cristãos de 27 países, refletimos sobre a decisão expressa no pacto de Lausanne de “desenvolver um estilo de vida simples”. Procuramos ouvir a voz de Deus através das páginas da Bíblia, dos gritos dos pobres famintos, e através uns dos outros. E cremos que Deus falou  conosco.

       Agradecemos a Deus por sua  salvação através de Jesus Cristo, por sua revelação na Escritura, que é a luz de nosso caminho, e pelo poder do Espírito Santo que nos faz testemunhas e servos no mundo.

       Estamos perturbados com a injustiça que existe no mundo, preocupados por suas vítimas, e arrependidos por nossa cumpricidade nisso tudo. Também fomos movidos a tomar novas decisões, cujo conteúdo expressamos neste Compromisso.

BIBLIOGRAFIA

JOHN STOTT – O DISCÍPULO RADICAL

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